sexta-feira, 4 de abril de 2025

*Silêncio de Farda*



 *Silêncio de Farda* 


O governador sobe no palanque,

Fala em crise, finge pesar.

Mas com uma canetada firme,

Triplica o próprio salário, sem hesitar.


Enquanto isso, nas sombras frias,

A polícia sangra sem gritar.

Olhos secos, corações cansados,

Sem reajuste, sem lugar.


Somos a linha entre o caos e a ordem,

Mas vivemos à beira do abismo.

Cada farda carrega um luto,

Cada plantão, mais um heroísmo.


O autoextermínio virou estatística,

Mas atrás do número tem um irmão.

Tem uma família que chora em silêncio,

E um Estado que vira o rosto, em negação.


MigALhas no vale-alimentação,

E a saúde? Estão tirando também.

Como lutar por um povo inteiro

Se nem por nós lutam ninguém?


É desumano, é cruel, é vergonhoso.

Sofremos calados, de peito aberto.

A polícia mineira está pedindo socorro —

Mas quem escuta esse grito encoberto?


Minas Gerais, olha pra quem te defende,

Antes que seja tarde demais.

Porque até o herói mais forte cai,

Quando só recebe desprezo e jamais a paz.

Naldha Alves

"Cachorro sem dente"