*Silêncio de Farda*
O governador sobe no palanque,
Fala em crise, finge pesar.
Mas com uma canetada firme,
Triplica o próprio salário, sem hesitar.
Enquanto isso, nas sombras frias,
A polícia sangra sem gritar.
Olhos secos, corações cansados,
Sem reajuste, sem lugar.
Somos a linha entre o caos e a ordem,
Mas vivemos à beira do abismo.
Cada farda carrega um luto,
Cada plantão, mais um heroísmo.
O autoextermínio virou estatística,
Mas atrás do número tem um irmão.
Tem uma família que chora em silêncio,
E um Estado que vira o rosto, em negação.
MigALhas no vale-alimentação,
E a saúde? Estão tirando também.
Como lutar por um povo inteiro
Se nem por nós lutam ninguém?
É desumano, é cruel, é vergonhoso.
Sofremos calados, de peito aberto.
A polícia mineira está pedindo socorro —
Mas quem escuta esse grito encoberto?
Minas Gerais, olha pra quem te defende,
Antes que seja tarde demais.
Porque até o herói mais forte cai,
Quando só recebe desprezo e jamais a paz.
Naldha Alves