O presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), afirmou que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), cotado para disputar o governo de Minas Gerais, “tem algumas dificuldades para levar a candidatura até o fim”. O empresário, também considerado para concorrer ao Palácio Tiradentes, avalia que Cleitinho “tem um perfil mais legislativo”.
“Não cabe a mim julgar. Eu estou na disputa, então fica chato. Coloquei meu nome para somar e poder contribuir com o projeto do PL. Sempre achei que o Cleitinho tem algumas dificuldades para levar a candidatura até o fim. O perfil do Cleitinho, na minha leitura, é um perfil mais legislativo. Qual o risco para o Cleitinho levar a candidatura até o fim? É ele ganhar. Se ele ganhar, dependendo do resultado (da eventual gestão), a carreira política dele pode acabar neste próximo mandato”, analisou, em entrevista exclusiva a O Fator.
Roscoe também disse que o desafio de administrar Minas Gerais “é muito grande” para qualquer candidato. No entanto, ressaltou a necessidade de que o novo governador seja capaz de dialogar em diferentes frentes.
“Cleitinho faz política, mas uma política de lobo solitário, na mídia social, etc. Qual a diferença do meu perfil? Eu tenho experiência tanto na vida política, porque eu faço política (tanto) na presidência da Fiemg, quanto na gestão. Eu faço política de articulação, que é o papel do governador”, analisou.
Questionado pela reportagem se poderia ser vice em alguma chapa, Roscoe confirmou essa possibilidade, mas rejeitou ter qualquer preferência entre Cleitinho e o atual governador Mateus Simões (PSD), outro nome cotado para uma eventual composição do PL em Minas. No entanto, se coloca como o pré-candidato mais próximo de dar continuidade ao trabalho de Romeu Zema (Novo).
“Eu acho o meu perfil mais alinhado ao Zema do que o dos outros candidatos. Mas, algumas coisas eu também faria diferente. Por isso, dei várias contribuições que o (ex-)governador ouviu, e outras não. Não posso dizer que eu concordo 100% com o que foi feito, inclusive acho que pode ser feito mais. Por isso, coloquei meu nome”, disse.
A avaliação sobre Medioli
Integrantes do PL também apontam o ex-prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Vittorio Medioli, como alguém capaz de liderar eventual voo solo do partido.
Sobre ele, Flávio Roscoe disse que se trata de “um bom nome”, mas adiantou que a escolha de um eventual vice em sua chapa seria feita pela legenda, e não por gosto pessoal próprio.
“Inclusive, eu acho que esse vice tenderia a ser muito mais alguém de outro partido do que alguém de dentro do próprio PL”, vislumbrou.
Como mostrou O Fator nesta sexta, o núcleo duro do partido se reúne na terça-feira (12), em Brasília, para avançar nas discussões sobre o cenário mineiro. Além de Roscoe, o encontro contará com as presenças dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN); dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Domingos Sávio (PL-MG) e Zé Vitor (PL-MG); e do presidente da executiva nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
Avanços na indústria
Flávio Roscoe também avaliou o trabalho que conduziu na Fiemg nos últimos anos, após uma sequência de fatos relevantes que mexeram com a economia, como a pandemia, as guerras e a crise com os Estados Unidos.
“Apesar de todos os desafios, pra mim, ficou muito claro que tivemos um vento positivo de transformação durante o governo do ex-presidente (Jair) Bolsonaro (PL). Isso se juntou com uma mudança positiva aqui em Minas também (a saída de Fernando Pimentel, do PT, e a eleição de Romeu Zema). […] Com a entrada do governo Lula (PT), a gente viu um vento na direção oposta, com muito mais regulação”, avaliou.
Segundo o presidente licenciado da Fiemg, as normas regulatórias colocadas pela atual gestão federal já representam impactos para a indústria mineira.
“Só no custo regulatório, o governo Lula adicionou R$ 160 bilhões por ano. Não é tributo. É custo regulatório adicional, que está no preço de tudo e na competitividade. […] A sociedade acha que o problema (da inflação) é industrial, mas não é. Está indo para o preço do produto. Uma medida que parece ser positiva, muitas vezes, é você (consumidor) que vai pagar”, protestou.
Roscoe também voltou a se posicionar contra o fim da escala 6×1, em debate no Congresso Nacional a partir de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e de um projeto de lei em tramitação.
“Quarenta milhões de brasileiros têm carteira assinada. Não tivemos aumento de produtividade. Vão reduzir a jornada? Ótimo. Tudo vai custar mais caro. Se o custo das pessoas ficou mais caro, o produto acompanha”, falou.
Investimentos em tecnologia
Pensando em uma eventual eleição para o Palácio Tiradentes, Roscoe apresentou como proposta um maior investimento em tecnologia. Na área da segurança, defendeu a criação de programa para instalar câmeras de reconhecimento facial em todo o estado, com objetivo de cumprir mandados de prisão em aberto e detectar flagrantes.
“Todo mundo tem carteira de habilitação, até o bandido tem. O cadastro, o banco de dados, já existe. Está feito. São 50 mil câmeras, que vão custar cerca de R$ 100 milhões. Se você colocar esses equipamentos em locais estratégicos, você vai saber onde o cara está. Até o bandido tem rotina. Ninguém consegue fazer tudo diferente todos os dias”, explicou.
O empresário também defendeu um maior uso da tecnologia nas escolas. “Foi o que a gente fez no Sesi. Os resultados estão aí. É a melhor escola de baixa renda do país. Dá para fazer. Estamos num mundo tecnológico. O que o estado está fazendo? Não é o de Minas Gerais somente (que tem essa dificuldade). É via de regra”.